as migalhas do século xx


 

Quando inevitavelmente o amor findar

De: Rodrigo Haimann

 

Quero fugir da insensata emoção

Empurrá-la para quem com ela quiser ficar

A busca incessante da felicidade não

Quer dizer que ela não vá me fazer chorar

 

Felicidade realmente dói

Talvez seja mais fácil só viver

Ser amado me desconstrói

E se amo, vou sofrer

 

Oxalá eu disso tudo me omitisse

Conseguisse de estátua me fingir

 E pra vida não mentisse

 

Mas como não enveredar

Por espinhos que só sei sentir

Quando inevitavelmente o amor findar?

 

 

 



Escrito por Haimann às 09h19
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Só desilusão

De: Rodrigo Haimann

 

Me preparei por tantas noites

Para encontrá-la lua cheia e vi

Que  depois de tanto esforço e afoite

Eras a mais minguante que eu já conheci

 

Sobrou-me apenas um canto triste

Depois de provar-te sóbrio

Vi que não existe

O que antes parecia óbvio

 

A embriaguez cibernética da carência

Me fez iludir-me outra vez

Da amizade à docência

 

Do enlace ao cativo

Mergulhado na insensatez

Cada dia menos vivo

 

 



Escrito por Haimann às 09h13
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Selvagem

De: Rodrigo Haimann

 

Selvagem, de fato tu és bicho do mato.

Teimosa, não quer verso, nem prosa.

Aventureira, sem igual me seduziu no carnaval

Quietinha, mas sabia ao que vinha

 

Você me amou de uma forma tão intensa

Que nunca houve nada parecido em minha vida

Mas se anulou sem eu saber

Deixou tudo se acumular

E agora diz que não ama mais

 

Pequenina na altura, mas gigante criatura

Depressiva oh que vida abusiva

Companheira, amiga minha, tal e qual não tinha

Insegura, agarrava-se a minha cintura

 

Refrão

 

Inteligente na certa mulher de mente aberta

Menina, de baixo autoestima

Caliente desnuda não ficava muda

Rancorosa só via os espinhos da rosa

 



Escrito por Haimann às 13h41
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Outros noventa

De: Rodrigo Hogendoorn Haimann


 

Tu, quietinha no teu canto

Eu curto o pranto

O tempo é curto

Encurto o canto

 

Espero o teu despertar

Que conclusão tiras de tudo?

Quão difícil é te namorar...

Cético, ético ou iludo?

 

Dias passam lentos

O silêncio me atormenta

O amor se emenda?

 

Se estes dez por cento

Ninguém agüenta

O que será quando conhecer os outros noventa?



Escrito por Haimann às 17h58
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Dez por cento

De: Rodrigo Hogendoorn Haimann


 

Tu estás certa

O torto sou eu

A mente e a janela aberta

Onde ninguém mais me conheceu

 

Sou alemão negro

Com a infabilidade de um Papa

Devo estar completamente cego

Esperando por um beijo ou tapa

 

Nada faz sentido algum

Tudo são tentativas

Inexatas e intuitivas

 

Somos realmente um?

Se erro ao menos tento

E dizes que não me conheces dez por cento.

 



Escrito por Haimann às 17h56
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Mas que saudade eu tenho da Bahia.

Por: Rodrigo Hogendoorn Haimann, ofs

 

No mês de julho deste ano, a arquidiocese de Florianópolis enviou cento e vinte e sete missionários para as Santas Missões Populares em Xique-Xique, na Bahia. Eu estava entre eles. Foi uma experiência incrível, ou como eu disse na entrevista ao Sr. Domingos, organizador da viagem: “Foi indescritível, inenarrável. Só Jesus Sacramentado sabe o que Ele fez em minh’alma nesta missão”. Mas como me comprometi a escrever algumas palavras sobre as missões, aqui vou eu.

Em primeiro lugar tenho muito a agradecer a Deus que usou do meu ministro na ordem franciscana secular para fazer o convite para que eu participasse das missões. Foi algo completamente inesperado. Depois de uma de nossas reuniões fraternas, ao fim da Santa Missa, o Márcio me convidou para participar das missões na Bahia e eu sem nem ao menos pensar por um segundo sequer, imediatamente disse sim. Disse que iria. Sem nem saber quando nem como seria. Depois do meu “sim”, tudo o mais Deus foi providenciando. De forma que mesmo não tendo um centavo pra viagem, todas as despesas foram pagas por pessoas lindas que se deixaram tocar por Deus que por algum motivo me queria na Bahia.

Comecei a participar dos encontros de formação em Tijucas e a conhecer as pessoas que fariam parte desta missão. Descobri que este já era o décimo ano que a arquidiocese enviava missionários para a Bahia. Ao saber exatamente qual o dia iríamos partir em missão, comecei a conversar com a secretaria da educação e com as diretoras das escolas onde trabalho para justificar o período de faltas e deixar tudo acertado a respeito das aulas que seriam dadas. Tudo foi se encaixando perfeitamente. Recebemos o envio de Dom Murilo junto com todo o grupo de missionários reunidos em Tijucas e também do Frei Ladi na Igreja de Santa Inês em Balneário Camboriú, por onde estávamos sendo enviados, o Márcio e eu.

Acabamos antecipando a data de lançamento do meu livro: “Sonetos mal traçados” para adequar à data da viagem. E dia dezesseis de julho às dez horas da manhã estávamos saindo. Três ônibus em comboio deixaram a paróquia de São Vicente de Paulo em Itajaí, rumo à Xique-Xique. Foram quase três mil quilômetros. Noites mal dormidas dentro do ônibus. Parada às cinco horas da manhã para tomar banho gelado. Restaurantes de beira de estrada que muitas vezes nos tiravam o apetite devido à falta de higiene, mas também alguns bons restaurantes e igualmente caros. Fiz novas amizades dentro do ônibus, como a querida Liliane, de coração tão franciscano que lhe rendeu o apelido carinhoso de “Clara”. E finalmente, depois de quase três dias de viagem chegamos ao nosso destino e fomos acolhidos por uma belíssima e emocionante recepção. Carro de som, música, fogos, abraços calorosos de boas vindas. Fomos recepcionados na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, onde cada missionário se apresentou ao microfone. Depois fomos encaminhados para um alojamento ao lado da Igreja de Nossa Senhora Aparecida, onde almoçamos (que comida deliciosa, preparada com muito amor), tomamos nosso tão esperado banho (novamente gelado) e passamos a primeira noite (com direito a vista de uma aranha enorme em meu colchão).

No dia seguinte estávamos de “folga” até a hora marcada na Igreja matriz para a acolhida dos missionários de outros estados e de outras cidades da própria Bahia. Aproveitamos para fazer um “tour” pela cidade. Subimos todos num caminhão e nos ajeitamos como foi possível para fazer o passeio. Foi quando vi pela primeira vez o Rio São Francisco. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Fui até suas margens, molhei a mão direita e com suas águas tracei sobre mim o sinal da cruz. Muitas fotos depois, estávamos reunidos para receber os missionários e ouvir Dom Frei Luiz falar sobre o que ele esperava de nós. Foram separados os grupos e em seguida começou a Santa Missa de abertura das Santas Missões, presidida por Dom Frei Luiz e co-celebrada por diversos padres. Após a missa cada grupo foi para sua comunidade, embora algumas pessoas passaram mais uma noite no alojamento, pois só iriam para as ilhas no dia seguinte, o que não foi meu caso.

Fiquei em uma localidade chamada Guaxinim, comunidade de Santa Luzia, a apenas trinta minutos de caminhada do centro de Xique-Xique. Um bairro pobre, de gente simples e batalhadora. Pessoas que nos acolheram em suas casas, em suas vidas, com muito carinho. As casas chamavam minha atenção por serem feitas de barro, sem forro, chão batido e sem portas para separar os cômodos. Mas o que mais chamou a atenção foi como essas pessoas são felizes. Como elas têm fé.

Nossa rotina basicamente era de acordar às quatro e meia da manhã e sair em caminhada penitencial, orando e cantando pelas principais ruas do bairro. Depois o café da manhã com comidas típicas da região. Após o café começávamos as visitas nas casas. Todas as casas do bairro foram visitadas. Cerca de trezentas casas. Conversávamos com as famílias que nos recebiam em suas casas com alegria e emoção, como se estivessem recebendo o próprio Cristo. Fazíamos uma pausa para o almoço (que saudades do feijão de corda) e continuávamos visitando as famílias, até que no fim da tarde nos reuníamos à sombra das árvores para definir como seria a celebração da noite. Todos os dias antes da celebração fizemos um encontro direcionado. Um dia para as crianças, outro para os jovens, outro para casais e assim por diante, sempre fechando a noite com a comunhão do Corpo de Cristo. As celebrações aconteceram em lugares diversos, pois não há igreja na comunidade. Há apenas o terreno com o cruzeiro, indicando o lugar onde um dia eles pretendem construir uma igreja. Assim, celebramos em garagens, em galpões, na escola e até ao ar livre. E ficamos muito amigos da equipe de liturgia e catequistas da comunidade. O ardor delas nos contagiava. Algumas noites tivemos o privilégio de receber o Pe. Leandro, missionário de Itajaí que vinha presidir a Santa Missa para nós. Era uma grande alegria. Fizemos muitos amigos. Cativamos e fomos cativados. De forma que no último dia foi uma tremenda choradeira. As pessoas da comunidade brincavam dizendo: “Hoje o rio vai encher”. Isso devido às lágrimas e somando ao fato de que era tempo de seca e o rio São Francisco estava bem seco.

Levei muitas coisas que o Márcio havia preparado para distribuir entre as pessoas, como medalhas, terços, crucifixos e etc. Também distribui muitos pacotes de pirulitos. As crianças, aonde eu ia, iam atrás me rodeando.

O encerramento foi também na Igreja Matriz. Com todas as comunidades. Com todos os missionários se reencontrando depois de vários dias. Muitos abraços. Muita alegria, mas também a tristeza de saber que já se aproximava a hora de ir embora. A Santa Missa de encerramento, presidida por Dom Frei Luiz foi linda e mais uma vez nos emocionou. Depois da missa os missionários foram jantar e em seguida embarcamos no ônibus. Antes de subir para o ônibus me despedi das pessoas da minha comunidade que choravam muito com a nossa partida. Dei às meninas da equipe de liturgia de Santa Luzia algumas coisas de meu uso pessoal, como o terço, a minha cruz peitoral, boné e etc. sei que tudo isso tem e terá sempre um significado muito grande para elas. O ônibus seguiu seu rumo, e o povo foi acompanhando em lágrimas e acenos. Ficou a lembrança de todas as maravilhas que o Senhor Deus fez em nossas vidas.

 

 



Escrito por Haimann às 13h29
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Escrito por Haimann às 21h30
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Intrigas

De: Rodrigo Hogendoorn Haimann

 

Linda, eu ainda te amo tanto

Passam-se os dias e me pego pensando novamente em ti

Mesmo depois de já ter contido meu pranto

Agonizo ao reviver tudo o que senti

 

Acredito que tu também ainda pensas em mim, com otimismo

E isso me da alegria de viver

Não que eu tenha esperança de um dia rever o teu sorriso

Muito menos de aquele sentimento bom em ti renascer

 

Pois se tanto amei é normal a saudade

Se chorei, não foi por fraqueza

E o que fiz de errado não foi por maldade

 

Ah, meu coração se alegraria se fostes ao menos minha amiga

Deve ser ate contra as leis da natureza

Depois de tanto amor só restarem intrigas.



Escrito por Haimann às 20h26
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Urubu

De: Rodrigo Hogendoorn Haimann

 

Urubu da favela em cima do poste

Gente que se revela, ao urubu faz quem goste

Urubu na paisagem caipora

Gente de passagem, com o urubu se apavora

 

A bala perdida queimando em brasa

O tiro de setra o faz dispersar

Gente que anda, corre e se atrasa

Por que não tem asa, urubu a voar.

 

Urubu caçador sobrevivente

Tem mais luta e garra do que muita gente

Que com medo ou cansado desiste da vida

 

E ao invés de curar, expõe a ferida

E grita: "Urubu mestre do ar,

Pousa em mim, vem me abraçar!".



Escrito por Haimann às 22h26
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Vem

De: Rodrigo Hogendoorn Haimann

 

Vem meu amor

Vem me dar um beijo

Eu quero mais

É estar com você

 

Que se dane todo mundo

E que vivam seus sonos profundos

Somos jovens demais para ter medo

Chega mais perto, vou te contar um segredo

 

Porque a partir deste instante

Quero dormir e acordar ao teu lado

Diga-me o que há de errado?



Escrito por Haimann às 09h24
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Escrito por Haimann às 23h03
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Vinho

De: Rodrigo Hogendoorn Haimann

               

Vinho, acordes dedilhados

Jogos, teimosia e vinho

Vinho, seios afagados

Hálitos, suores e vinho

 

Vinho, línguas entrelaçadas

Olhares, sabores e vinho

Vinho, sangue pulsante

Música, beijos e vinho

 

Saliva quente, aulas, traição e vinho

Doces lembranças de uma época conturbada

A melhor parte da história nunca foi contada

 

Amizades despedaçadas, sexo, intrigas e vinho

As taças inertes, lado a lado enamoradas

A melhor parte da história sempre foi a vinho regada 



Escrito por Haimann às 10h05
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Os Monges, banda de punk rock lisérgico dos anos 90 no cenário de Itajaí, volta agora com novo estilo, mais irreverente e trazendo os compositores Anderson Bernardes e Rodrigo Haimann a frente do projeto. Confira o primeiro videoclipe desta nova fase que marca a volta da banda a ativa.




Escrito por Haimann às 23h38
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A Infelicidade Esmagadora

De: Rodrigo Hogendoorn Haimann, ofs

 

Não posso mais, infelicidade, olhar para ti

Isto, creio eu, me faz mal. Ou minto?

Embebedei-me no vinho seco de tua alma

Que me fizestes? Que pensas que sinto?

 

É uma febre, uma agonia,

Lágrima que se forma e cristaliza-se antes de escorrer

É uma tristeza esmagadora

Saudade, desespero, desejo de morrer

 

Oh, tardes intermináveis em que matam gente como porcos

E defloram virgens e incendeiam matas,

Vulgarizam as mulheres, poluem os rios e riem do amor...

 

Onde estão as flores que murcharam sem água, longe do úmido esterco?

E a poesia? Ah! O que é poesia? Rabiscos mal traçados em nojento papel! Que pensas insensata?

Que o que sinto é vento e, na inexatidão do tempo, vai consumir-se sem causar dor?



Escrito por Haimann às 21h54
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Escrito por Haimann às 10h40
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BRASIL, Sul, ITAJAI, COSTA CAVALCANTI, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, German, Música, Informática e Internet
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